Pioneirismo no Futebol Feminino
De SPédia
"Dentre
Mais recentemente, na década de 1990, o historiador José Sebastião Witter afirma, em nota de rodapé ao texto de sua Breve História do Futebol Brasileiro, que "no Brasil, o primeiro jogo de futebol feminino de que se tem notícia foi disputado em 1913, entre times dos bairros da Cantareira e do Tremembé, de São Paulo. Cercado de preconceitos, o esporte não chegou a se firmar entre as mulheres, mas a partir de 1981 formaram-se várias equipes femininas em clubes como São Paulo, Guarani, América e outros".
[...]
O jogo apontado por Thomaz Mazzoni como marco do futebol feminino no Brasil aconteceu, na verdade, alguns dias depois, em 17 de maio, quando as futebolistas entraram em campo para fazer a preliminar do confronto entre São Paulo e Flamengo, também no Pacaembu. Nas palavras da Folha da Manhã, o público viveu então "momentos dos mais agradáveis, sobretudo humorísticos, pois, se as frágeis jogadoras não exibiram técnica de futebol, padrão de jogo, etc, agradaram em cheio, na maioria das vezes, pelas próprias falhas, que eram recebidas com gostosas gargalhadas pela assistência".".
Ainda que o texto apresentado não afirme categoricamente que foi uma equipe do SPFC a se alinhar no jogo do Pacaembu (somente diz fazer preliminar de um jogo do Tricolor), fica claro de todo modo o pioneirismo do São Paulo FC a organizar uma equipe feminina no começo dos anos 80, pouco antes mesmo da famosa equipe amadora do Rio de Janeiro, o EC Radar.
Mas, o mais importante de todo esse pioneirismo não foi o fato isolado de se postar como o primeiro em algo, mas sim de romper paradigmas e preconceitos, de até mesmo ir contra a lei por essa idéia. Digo contra lei, pois, era de fato, quase uma contravenção à época:
"Decreto-lei 3.199, que em abril de 1941 instituiu o Conselho Nacional de Desportos (CND), afirmava em seu artigo 54 que "às
A modalidade em si somente fora regulamentada pelo Conselho de esportes da época entre 1981 e 1982. Ou seja, a prática antes disso era ilegal. Não era simplesmente nao-regulamentada ou desfiliada às principais confederações, era prática ilegal.
Entrementes, ainda hoje o futebol feminino é capenga de organização e respeito - sobrando demagogia. Aquela equipe do SPFC dos ano 80 fatalmente fora dissolvida algum tempo depois, certamente breve tempo depois, sendo restaurada justo em 1997, com a fase áurea da modalidade no clube, e durando somente até 2001.
as poucas referências encontradas a seu respeito [do futebol feminino] em nossa historiografia futebolística, podemos destacar duas rápidas passagens, separadas por uma diferença de quase meio século. A primeira delas apareceu em 1950, na pioneira
Mais recentemente, na década de 1990, o historiador José Sebastião Witter afirma, em nota de rodapé ao texto de sua Breve História do Futebol Brasileiro, que "no Brasil, o primeiro jogo de futebol feminino de que se tem notícia foi disputado em 1913, entre times dos bairros da Cantareira e do Tremembé, de São Paulo. Cercado de preconceitos, o esporte não chegou a se firmar entre as mulheres, mas a partir de 1981 formaram-se várias equipes femininas em clubes como São Paulo, Guarani, América e outros".
[...]
O jogo apontado por Thomaz Mazzoni como marco do futebol feminino no Brasil aconteceu, na verdade, alguns dias depois, em 17 de maio, quando as futebolistas entraram em campo para fazer a preliminar do confronto entre São Paulo e Flamengo, também no Pacaembu. Nas palavras da Folha da Manhã, o público viveu então "momentos dos mais agradáveis, sobretudo humorísticos, pois, se as frágeis jogadoras não exibiram técnica de futebol, padrão de jogo, etc, agradaram em cheio, na maioria das vezes, pelas próprias falhas, que eram recebidas com gostosas gargalhadas pela assistência".".
Trechos de "Futebol é 'coisa para macho'? Pequeno esboço para uma história das mulheres no país do futebol", de Fábio Franzini.
Ainda que o texto apresentado não afirme categoricamente que foi uma equipe do SPFC a se alinhar no jogo do Pacaembu (somente diz fazer preliminar de um jogo do Tricolor), fica claro de todo modo o pioneirismo do São Paulo FC a organizar uma equipe feminina no começo dos anos 80, pouco antes mesmo da famosa equipe amadora do Rio de Janeiro, o EC Radar.
Mas, o mais importante de todo esse pioneirismo não foi o fato isolado de se postar como o primeiro em algo, mas sim de romper paradigmas e preconceitos, de até mesmo ir contra a lei por essa idéia. Digo contra lei, pois, era de fato, quase uma contravenção à época:
"Decreto-lei 3.199, que em abril de 1941 instituiu o Conselho Nacional de Desportos (CND), afirmava em seu artigo 54 que "às
mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza
(fonte Manhães, E.D. Política de Esportes no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1986, pg 134.).
A modalidade em si somente fora regulamentada pelo Conselho de esportes da época entre 1981 e 1982. Ou seja, a prática antes disso era ilegal. Não era simplesmente nao-regulamentada ou desfiliada às principais confederações, era prática ilegal.
Entrementes, ainda hoje o futebol feminino é capenga de organização e respeito - sobrando demagogia. Aquela equipe do SPFC dos ano 80 fatalmente fora dissolvida algum tempo depois, certamente breve tempo depois, sendo restaurada justo em 1997, com a fase áurea da modalidade no clube, e durando somente até 2001.

